se quiser falar comigo ...

"Aqui a roupa é casa, é abrigo, é memória, é país." - Ronaldo Fraga, ontem...

April 26, 2016

 

 

 

 

ontem tive a HONRA  de ver o desfile do Ronaldo Fraga no SPFW, fiquei emocionada em ver tanta belezura, chegando em casa, fui ler o release da coleção  ( - o texto, a ilustração... tudo é de morrer... )  -  mais emoção...

tinha que partilhar com todos que não puderam participar desse momento inspirador...

 

 

deliciem-se...

 

 

 

 

 

"À primeira vista um pingo manchado o azul profundo do Mar Mediterrâneo.
Para o emaranhado humano que forma essa mancha, o azul é a cor do inferno.
Muitos barcos abarrotados de pessoas não chegam ao seu destino final.
Nesta nova onda migratória, a Europa recebeu mais de um milhão de refugiados
no ano passado, número já ultrapassado nos três primeiros meses desse ano.
São pessoas fugindo de guerras civis, étnicas ou religiosas.
Aos olhos de quem vê mas não enxerga, os refugiados são apenas "os eles do lado de lá".
Ignoramos o novo movimento mundial onde conflitos rompem fronteiras e se estendem
como água densa correndo para o mar e chegando rápido demais aos nossos pés.
Sob o choque desse movimento a união européia corre o risco de se desintegrar
e se desconstruir.
A extrema direita tenta barrar essa corrente alegando a necessidade de se preservar
o perfil cultural, religioso e histórico da Europa.
Todas as tentativas tem sido em vão frente a enorme panela de pressão que
está para explodir.
E o que a moda tem a ver com isso?
Documento eficiente com registro de um tempo, a moda tem diferentes faces e formas
para registrar uma estória e a que  desde sempre me seduz é a face político-cultural
desse fascinante vetor de comunicação e consumo criado pelo homem.
No computador amplio as imagens dos barcos-túmulo, procurando ali o indivíduo
e os mastros de esperança que o sustenta.
Com o zoom, o ocre desaparece revelando flores e grafismos multicoloridos impressos
em vestidos, calças e camisas. De perto todo sujeito é uma estória particular.
Aqui a roupa é casa, é abrigo, é memória, é país.
Aqui a roupa é a única herança de sua terra e elemento da identidade cultural que manterá de pé.
Aqui a roupa é também uma arma de "re-existência".
Moda e arte são instrumentos que conseguem lançar luz sob poesia insuspeita em terreno árido.
A intolerância que gera essa aridez não é privilégio dos países de lá.
Ela se espalha como uma nuvem espessa sobre todo o mundo.São tempos perigosos.
Nesse momento somos todos refugiados.
Na viagem dessa coleção, me guiei pela literatura renitente do 
moçambicano Mia Couto e a do angolano Valter Hugo Maê. E é do angolano esse alento:
- não sei se a arte pode nos salvar, mas tenho a certeza de que ela pode nos conduzir 
ao melhor que há em nós para que não nos desperdicemos na vida. -"

 

 

 

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